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15 setembro, 2011

Reiki para Crianças...RCB sempre atenta!

No Fundão, o workshop de reiki para crianças do passado dia 10, também foi noticia na "nossa" sempre atenta RCB...


REIKI PARA CRIANÇAS

Jornalista Paula Charro

No Fundão, pela primeira vez , crianças com mais de seis anos tiveram a oportunidade de aprender Reiki. A iniciação decorreu nas instalações da Academia Sénior do Fundão e teve como objectivo permitir que os mais pequenos tenham desde muito cedo ensinamentos que evitem a dor na idade adulta. (OUVIR NOTÍCIA)

25 junho, 2011

Coisas importantes que o seu filho não faz enquanto vê televisão

Um guia que todos os pais devem colar no frigorifico (ou em alternativa no ecrã da televisão...)!

O tempo que as crianças passam em frente à televisão é quase sempre mal gasto, pois não lhes oferece oportunidades de desenvolvimento e crescimento (salvaguardando um ou outro programa criteriosamente selecionado, ou seja não mais de meia hora por dia). Ver televisão é uma actividade passiva e solitária, mesmo que estejam com outras crianças ao lado. E rouba-lhes tempo para outras actividades. Pense em tudo o que o seu filho não está a fazer nas horas que passa sentado em frente ao ecrã:

Não está a ser criativo
A criatividade de uma criança é ilimitada quando lhe é dada oportunidade e liberdade para se expressar. Essa expressão tem benefícios a muitos níveis, como o bem-estar emocional e o fortalecimento da auto-estima. A razão por que existem poucos adultos criativos é que a sua criatividade foi tolhida na infância por falta de liberdade para a exercitar ou por falta de oportunidade. A televisão rouba às crianças, todos os dias, oportunidades de serem criativas.
Não está a fazer perguntas
As crianças precisam de perguntar. É assim que constroem a imagem do mundo e se constroem. As perguntas são tão ou mais importantes do que as respostas. Ouça as perguntas do seu filho e responda-lhes com honestidade. Se não sabe, procure as respostas com ele.
Não está a desenvolver a linguagem
Só se desenvolve o domínio da linguagem, conversando, ouvindo histórias, lendo. Falar e ouvir são duas faces da mesma moeda que é essencial praticar para desenvolver a capacidade de comunicar que é muito mais do que saber falar ou dominar muito vocabulário.
Não está a tomar iniciativas
Vivendo num mundo em que todas as decisões são tomadas por outros e em que todo o tempo é estruturado pelos adultos, as crianças têm poucas oportunidades de desenvolver a capacidade de tomar iniciativas. Se o pouco tempo que têm realmente livre é gasto em frente à televisão, nunca terão essa capacidade.
Não está a desenvolver a motricidade fina
A coordenação entre os olhos e os dedos é fundamental em tarefas que exigem precisão como recortar, escrever, picotar, fazer trabalhos manuais. Há brincadeiras e tarefas que estimulam esta área e que podem fazer-se em casa: vestir e despir bonecas, aprender a apertar os atacadores (em vez de optar apenas por sapatos com fechos de velcro), fazer os desafios de livros de actividades próprios para a idade, decorar um bolo...
Não está a mexer-se
É conhecida a relação entre as horas de televisão e o aumento alarmante da incidência de obesidade. As crianças precisam de se mexer mais, de preferência ao ar livre. Mas dentro de casa também há alternativas: consolas que exigem movimento, fazer um jogo da macaca no corredor com fita adesiva, saltar à corda.
Não está a interagir com outras pessoas
As competências sociais são desenvolvidas na interacção. Dê oportunidades ao seu filho, fora da escola, de conviver com outras crianças. Convidar um amigo para brincar (proibido ficarem os dois a ver TV), ir ao parque infantil, à biblioteca...
Não está a desenvolver o sentido crítico
Quando os pais são selectivos em relação à programação televisiva estão a ensinar as crianças a desenvolver o seu próprio sentido crítico. Não queira ter um filho que não pensa pela sua cabeça. Mostre-lhe que devemos ter opiniões e não aceitar tudo o que nos mostram como dado adquirido. Isto é especialmente importante quando muito do tempo que passam em frente à televisão é gasto a ver publicidade.
Fonte: Iol Mãe

23 janeiro, 2011

«Não se pode deixar um bebé chorar»



altRecuperar o instinto e não impor objectivos de adulto na relação com os bebés são um bom resumo da conversa que a conhecida médica e autora de livros dedicados à gravidez, parto e pediatria manteve com a PAIS&Filhos. Longe das receitas e de regras rígidas, Miriam Stoppard garante que os pais sabem sempre o que é melhor para os filhos.

Garante que uma família feliz terá filhos felizes e saudáveis.
A felicidade é uma vitamina fundamental para a saúde. Com tanta literatura sobre pediatria os pais ficam confusos sobre os caminhos a seguir. Depois de alguma liberdade assistimos ao regresso de teorias rígidas. Não acredito em nada rígido em bebés e crianças. Acho que os pais têm de ser flexíveis e seguir os sinais que a criança vai dando, em vez de tentar impor os seus objectivos adultos aos filhos. Os pais esperam demasiado dos seus bebés e eu quero que eles saibam como os bebés desenvolvem competências e como os adultos podem ajudar a desenvolvê-las. É importante não se esperar muito demasiado cedo. Não acredito de todo em seguir regras rígidas de um qualquer livro ou autor. Não pretendo saber o que é melhor para os pais, porque só os próprios sabem isso. O que eu quero é transmitir confiança aos pais para seguirem os seus instintos, que estão sempre certos. Não acredito em ensinar os pais, porque parece-me de enorme arrogância que alguns especialistas saibam mais do que é melhor para a família. Não podem.

A geração actual de pais é muito criticada pelos avós por serem demasiado flexíveis, por serem escravos dos filhos, invocando as suas experiências, como por exemplo: «deixem o bebé chorar no quarto que depois acalma».
Sou absolutamente contra deixar um bebé chorar. Actualmente, todos sabemos o que acontece no cérebro dos bebés quando choram. Até um bebé ter seis meses não tem capacidade para se acalmar. Os bebés precisam de ser ensinados, encorajados a aprender a lidar com o choro, com a sensação de desconforto, a frustração. Os bebés precisam que lhes mostremos como fazer e a única forma de ensinar um bebé a acalmar-se é o adulto sossegá-lo calmamente para que se habitue a estas sensações boas. Ajuda falar baixinho e gentilmente, embalá-los, fazer festinhas, pegar ao colo. Estas sensações positivas e gratificantes vão ficando na memória do bebé que a pouco e pouco vai memorizando esse património positivo. Ao contrário, deixar um bebé chorar é cruel. Quando um bebé chora o cérebro desencadeia uma série de reacções desenvolvendo-se num determinado sentido para o resto da vida. É como uma impressão digital. Os bebés que são deixados a chorar serão mais mal dispostos, difíceis de confortar, choram muito, serão difíceis de acalmar e quando crescerem tornam-se crianças anti-sociais, menos afectuosas, não fazem amigos facilmente e vão ter problemas de aprendizagem na escola. E tudo isto acontece porque se deixa um bebé chorar. Por outro lado, se se confortar o bebé ele apreende os sentimentos amorosos de segurança e satisfação, o cérebro produz sensações agradáveis o que desencadeia um desenvolvimento num sentido completamente diferente. Esse bebé será naturalmente mais amistoso, fará amigos facilmente, será capaz de partilhar, afectuoso, com boa capacidade de concentração e terá um melhor desempenho na escola. Isto nós sabemos. É ciência. A ciência é que nos explica porque não devemos deixar um bebé chorar.

A ciência manda os pais pegar nos bebés ao colo, tocar, cantar, dar mimos…
Sim.

Valoriza muito o conceito de família. As famílias hoje são muito diferentes.
É verdade que valorizo imenso. Acho que é o melhor ambiente para uma criança crescer, mas as famílias podem revestir todo o tipo de configurações. Eu própria tenho dois enteados e duas enteadas, onze netos e não faço qualquer distinção entre os filhos dos meus filhos ou os dos meus enteados. Na minha família há quatro avós. A felicidade é uma vitamina essencial para o crescimento. O amor também é. E para uma criança não interessa de onde vem o amor. Eles só querem é sentir esse amor porque os faz sentir bem, seguros, auto-confiantes.

Todos precisamos.
Mas é ainda mais importante para uma criança. Quanto mais pessoas uma criança tiver na sua família (na sua tribo) melhor será e mais probabilidades teremos de ter crianças saudáveis. Por isso, sim, sou defensora acérrima da família qualquer que seja o tipo de família. Acredito nas reuniões familiares alargadas, seja em festas de aniversário, ou outras.

Os rituais são importantes?
Todos os rituais, o Natal, a Páscoa, os aniversários. É fácil perceber como as crianças adoram estas festas. As que não têm família nessa dimensão por volta dos três, quatro anos escolhem figuras como o carteiro, a empregada, a professora, o cão, o gato porque todas as pessoas do seu mundo são a família deles. Por isso, as crianças adoram a ideia de famílias grandes e de muitas relações e adoram conhecer mais e mais gente, os primos afastados, os tios em terceiro ou quarto grau e percebem muito rapidamente.

As famílias são cada vez mais pequenas, há mais pais solteiros e filhos únicos. A família tem de ser a de laços de sangue? Os amigos podem desempenhar essa função
.
Claro. E podem promover dormidas em casa de amigos, saídas com amigos com filhos pequenos, trazer amigos da escola para casa.

Ser-se mãe ou pai solteiro não é uma questão.

Não deve ser. Ser mãe ou pai solteiro pode ser muito duro mas pode ser feito.

Se pedir ajuda fica mais fácil.
Claro e sabe uma coisa? O que é bom para a criança é bom para o pai ou mãe. É que se procurar trazer amigos da criança para casa, ou organizar saídas de amiguinhos o adulto naturalmente conhecerá outros pais, o que lhe permite alargar a sua própria rede de contactos sociais.

Mudando um bocadinho de tema, gostava de saber a sua opinião sobre a polémica de dormir com os pais (cosleeping). Nunca diz que os pais não podem levar os filhos para a cama.
É verdade.

Porque há tanta gente contra o co-sleeping?
Eu sei porquê. Em primeiro lugar há regras básicas: um fumador não deve ndormir com um bebé porque as toxinas dos cigarros ficam impregnadas na pele e na roupa e o bebé respira-as. Sabemos que os filhos de pais fumadores têm mais infecções respiratórias, gastroenterites. A segunda regra é que o bebé não deve dormir nunca ao pé de quem esteve a beber porque os reflexos do adulto ficam diminuídos e sem querer pode deitar-se em cima do bebé sem se dar conta. E o mesmo se aplica a quem toma drogas. É também muito importante que não se durma com um bebé num sofá porque fica muito calor e o bebé aquecer demasiado não é bom. É, aliás, um dos perigos identificados da morte súbita.
Eu tenho tanta preocupação com o sobre aquecimento dos bebés que a proximidade de um adulto na cama me faz recear. Mas isso já sou eu e os meus medos. Na vida real, eu sei que os pais levam os filhos para a cama deles e se essa for a única forma de fazer o bebé parar de chorar é muito tentador levar o bebé para a cama dos pais. Eu preferia que o berço estivesse ao lado dos pais, para que quando o bebé chorasse um deles levantasse o braço e fizesse festinhas ritmadas ao filho, que é muitas vezes o que eles precisam sentir.
O meu filho mais novo chorava bastante de noite e eu acabei por montar um colchão de campismo ao lado da cama dele. Se ele chorava eu levantava o braço, toca-lhe, dava-lhe umas pancadinhas amorosas e isso chegava para ele. Saber que eu estava ali confortava-o e sossegava-o. Sinceramente, acho este cenário preferível. A verdade é que se diz que os pais que levam os filhos para a cama têm um reflexo instintivo – isto aplica-se às mães não sei se os pais também têm – e que mantém um grau de alerta que as impede de se deitar em cima dos filhos. Não sei se está provado.
No fundo, o que eu acho é que cada família, cada pai e mãe é que têm de decidir. Eu só me sinto na obrigação de os informar dos riscos. E os pais decidem sempre pelo que é melhor para todos.

Nos primeiros anos a maioria dos pais é bastante rígida na alimentação. A partir dos três, quatro anos começam as asneiras, as excepções e a banalização de comida menos saudável. E as asneiras têm de ser grandes senão não tínhamos estes números assustadores de obesidade infantil. Como fazer para que as nossas crianças, desde pequeninas, gostem mais de comida saudável?
Temos de ir muito mais atrás do que os primeiros anos. Muitos estudos demonstram que o que a mãe come na gravidez, o bebé sente. Portanto, se quer que o filho goste de comida saudável deve comê-la durante a gravidez porque os sabores vão no sangue, atravessam a placenta para o bebé.
Para continuar a encorajar o gosto pela comida saudável, a mãe tem de alimentar-se correctamente enquanto amamenta, porque o sabor passa no leite e o bebé interpreta todos os sabores que recebe pela amamentação como boa comida.
Portanto se quer que os seus filhos gostem de brócolos, deve comê-los na gravidez e enquanto amamenta. Há uma experiência muito interessante que foi feita com grávidas: um grupo bebia sumo de cenoura e outro sumo de laranja. Depois de nascerem, aos seis meses, quando começavam com os sólidos os bebés das mães que tinham bebido sumo
de cenoura comiam cereais misturado com sumo de cenoura mas não comiam se fosse misturado no sumo de laranja. E vice versa. Se a grávida e a mãe comerem bem, a criança cresce com bons hábitos alimentares. E como também defendo que as crianças devem ser amamentadas em exclusivo até aos cinco/seis meses a partir do momento em o bebé consegue agarrar objectos e desenvolve a chamada pinça (pegar com o indicador e o polegar em pequenos objectos) sugiro que uma variedade de comida saudável deve ser oferecida ao bebé no tabuleiro da cadeira para que possa escolher o que quiser comer. Vários estudos demonstram que, se for dada comida variada a um bebé, ele tende a fazer escolhas saudáveis. Se quiser que o bebé coma vegetais primeiro, ofereça vegetais variados: ervilhas, brócolos, tomate, ervilhas, feijões. Aos poucos, começa-se a juntar proteínas, preferencialmente carne branca. A fruta também pode começar a ser dada: pedacinhos de banana, maçã, pêra. Todas as experiências têm de ser feitas quando o bebé tem fome.
As dificuldades começam com a socialização e as festas de aniversário da família e de amigos da escola.
Isso não tem de ser um problema, desde que se explique bem à criança que o que se passa em casa é o normal e o que se come em festas é raro. E não se fazem festas todos os dias. As crianças percebem muito bem a diferença.

Os números da obesidade infantil portuguesa, à semelhança de outros países, são assustadores.
Vi os números portugueses e estão bastante mal também. Acho que, em especial, as mães confundem comida com amor. Mas dar guloseimas e excesso de comida ou má alimentação não é dar amor é dar doenças, como a diabetes, doenças cardio-vasculares, e ataques cardíacos. Só alimentação saudável é amor.

Os programas que os Governos têm vindo a desenvolver em parceria com entidades académicas e empresariais fazem diferença?
Eu sei que sim. Vi os resultados de programas de combate à obesidade em 30 países, incluindo Portugal, e o impacto na obesidade infantil tem revelado uma taxa de sucesso impressionante. E o sucesso deve-se sobretudo ao envolvimento de muitos parceiros, desde os governos, à saúde, educação, à indústria alimentar no alcance de objectivos sustentáveis a longo prazo que requerem a colaboração estreita entre todos eles. E uma conclusão que retiro é que os programas cujos relatórios revelam melhores resultados são os que têm como aliados a indústria alimentar, que aposta na saúde dos consumidores o que acaba por lhes ser favorável em termos de mercado.

Estes programas permitem ter resultados a curto prazo?
Sim. Os que eu conheço revelam resultados imediatamente

QUEM É MIRIAM STOPPARD
Médica, especializou-se, desde 1970, nos temas da gravidez, parto e pediatria. Autora de inúmeros livros sobre saúde, Miriam Stoppard afirma que quer dar toda a informação disponível às famílias para criarem crianças felizes. Presença assídua na televisão inglesa em programas de medicina e saúde. Cronista habitual em jornais britânicos, veio a Portugal a convite da Nestlé para moderar um debate no Congresso de Nutrição, no Porto.

Fonte: Pais e Filhos

29 novembro, 2010

Os nossos antepassados ancestrais educavam melhor os filhos

A evolução tecnológica não trouxe melhorias à forma de educarmos as crianças. Pelo contrário. Nas sociedades humanas do Neolítico, as práticas educativas criavam adultos com melhor saúde mental e mais empatia pelo outro.


Os pais de hoje passam menos tempo com as suas crianças do que na Idade do Gelo. Darcia Narvaez, psicóloga americana da Universidade de Notre Dame, Indiana, comparou os métodos educativos de pais com filhos de três anos usados na actualidade com as práticas de sociedades humanas muito antigas. E concluiu que não estamos a educar melhor.

As práticas actuais estão muito longe das práticas do passado e os pais têm hoje mais dificuldade em assegurar bem-estar e transmitir valores morais. Por isso, as crianças têm mais problemas de saúde mental

Ao contrário do que acontece hoje, as mães respondiam prontamente ao choro do bebé e amamentavam os filhos até aos cinco anos. Esta proximidade mantém o bebé calmo nos anos decisivos de formação da personalidade.

Nas comunidades humanas antigas, os bebés e crianças mais novas tinham muito mais tempo de contacto físico com as mães e não havia maus tratos como forma de educar.

As crianças hoje não recebem o alimento emociaonal necessário, nos primeiros anos, e tendem por isso a ser mais centradas em si próprias e ansioasas, faltando-lhes a empatia e compaixão pelos os outros, características das crianças que crescem em famílias mais disponíveis e atentas às suas necessidades.

Hoje, os bebés passam muito tempo em utensílios de puericultura modernos que os afastam das mães, como os carros de passeio ou as cadeiras de carro e de mesa. Por outro lado, apenas 15 por cento das mães amamenta até aos 12 meses. As famílias numerosas são raras e a brincadeira livre é uma realidade que desde os anos 70 tende a ser cada vez mais rara.

O que se perdeu

Práticas que deixámos para trás e que fazem falta para criar adultos mais saudáveis e seguros:
Muito contacto físico e resposta pronta ao choro do bebé. Hoje fala-se nos perigos de mimar demasiado, na vantagem de deixar o bebé chorar, e procura-se que o bebé se habitue a estar desde cedo sozinho no seu quarto. (Para muitas culturas que mantêm costumes ancestrais a ideia de uma cama de grades é considerada uma violência)
Amamentação até aos dois a cinco anos
Vários adultos prestadores de cuidados à criança, família e pessoas próximas do pai e da mãe
Brincadeira livre com amigos de todas as idades
Parto natural, com toda a explosão hormonal que se segue e que proporciona uma vinculação forte e muita energia para cuidar do bebé

Fonte: IOL Mãe

21 novembro, 2010

Meditação e aprendizagem

Expostas a tantos e diferentes estímulos sociais, visuais, emocionais e tantos outros, num dia só, precisamos cada vez mais de descobrir e oferecer às nossas crianças técnicas que ajudem a lidar com esta realidade...
Este estudo na área da neurociência, muito interessante na minha opinião, vem comprovar as inúmeras vantagens da meditação praticada na infância quer ao nível da aprendizagem, quer no que respeita à estabilidade emocional da criança...
Vale a pena espreitar...

Fonte: RedesparalaCiencia

01 abril, 2010

Não temos tempo!!!!?????

Há textos que nos marcam na vida. Este que hoje aqui reproduzo, extraído do álbum Desiderata, da autoria de Vítor de Sousa, é incisivo e identifica um problema que hoje muitas famílias vivem. Não temos tempo ou temos outras prioridades?


"Sabes, meu filho, até hoje não tive tempo para brincar contigo. Arranjei tempo para tudo, menos para te ver crescer. Nunca joguei dominó, damas, xadrez ou a batalha naval. Eu percebo que tu me procuras, mas sabes, meu filho, eu sou muito importante e não tenho tempo. Sou importante para números, convites sociais e toda uma série de compromissos inadiáveis. Como largar tudo isto, para ir brincar contigo? Não, não tenho tempo.

Um dia trouxeste o teu caderno escolar para eu ver e ficaste a meu lado. Lembras-te? Não dei atenção e continuei a ler o jornal. Porque afinal os problemas internacionais são mais sérios do que os da minha casa. Nunca vi os teus livros, não conheço a tua professora. Nem me lembro qual foi a tua primeira palavra. Mas tu sabes, eu não tenho tempo. De que adianta saber as mínimas coisas a teu respeito, se eu tenho outras grandes coisas a saber. É incrível como tu cresceste! Estás tão alto! Não tinha reparado nisso. Aliás eu quase não reparo em nada. E na vida agitada, quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora, porque aqui fico calado diante da televisão. Porquê? Porque a televisão é importante e informa-me muito.

Sabes, meu filho, a última vez que tive tempo para ti, foi numa noite de amor com a tua mãe. Eu sei que tu te queixas, eu sei que tu sentes a falta de uma palavra amiga, duma brincadeira, dum chuto na bola. Mas eu não tenho tempo. Eu sei que sentes a falta de um abraço e de um sorriso, de um passeio a pé, de ir até ao quiosque, ao fundo da rua comprar um jornal, uma revista. Mas sabes há quanto tempo eu não ando a pé na rua? Não tenho tempo. Mas tu entendes, eu sou um homem importante. Tenho de dar atenção a muito gente, eu dependo delas. Meu filho, tu não entendes nada de comércio. Na realidade eu sou um homem sem tempo. Eu sei que tu ficas triste, porque, as poucas vezes que falamos, é um monólogo; só eu é que falo.

Eu quero silêncio. Quero sossego e tu tens a péssima mania de querer brincar com toda a gente. Tens a mania de saltar para os braços dos outros. Filho eu não tenho tempo para te abraçar. Não tenho tempo para conversas e brincadeiras de crianças.

Filho, o que é que tu percebes de computadores, comunicação, cibernética, racionalismo? Tu sabes quem é Descartes e Kant? Como é que eu vou parar para falar contigo? Sabes, meu filho, não tenho tempo. Mas o pior de tudo, o pior de tudo é que, se tu morresses agora, neste instante, eu ficava com um peso na consciência. Porque, até hoje, não arranjei tempo para brincar contigo, e, na outra vida, Deus não terá tempo de me deixar pelo menos ver-te."


Vítor de Sousa