08 março, 2013

Violência obstétrica...vale a pena lembrar e lutar contra!!!

Sigam este link, divulguem, conheçam, reconheçam e actuem denunciando, falando, debatendo...porque há causas que nos tocam a todas e pelas quais vale a pena lutar....

VIOLÊNCIA Obstétrica, sabe o que é?

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Num dos momentos mais importantes de suas vidas, a gestação e o parto, mulheres e bebés estão sofrendo abuso e desrespeito por parte dos profissionais de saúde. Esta violência acontece diariamente em nosso país e no entanto, ainda pouco se fala sobre isso. 
Por isto, neste Dia Internacional da Mulher, a HumPar - Associação Portuguesa pela Humanização do Parto, juntamente com a Associação Doulas de Portugal e a Rede Portuguesa de Doulas, vem lançar uma Campanha de Consciencialização para a Violência Obstétrica. 

O Mês de Março será dedicado à divulgação de informações relativas ao contexto da Violência Obstétrica em Portugal e à promoção e dinamização de iniciativas que fomentem uma mudança efetiva da realidade da assistência ao nascimento. Leia e divulgue o texto da nossa campanha. Acompanhe em nossa página as atualizações. Informação e apoio são essenciais para que a mudança aconteça!

A todas as mulheres....

A todas as mulheres...

Que a força do feminino seja resgatada e se una numa só voz,
Que possamos reconhecer a nossa voz como una e como única,
Que o espírito das deusas e das grandes sacerdotisas possa renascer em cada uma de nós,

Hoje e todos os dias!!!

Feliz vida a ti MULHER!!!!






Música em UN WOMEN

06 março, 2013

Partos e a importância da mensagem passada pelos meios de comunicação social...

Eu não tive dilatação... verdade ou mito....


Um texto excelente, que acaba com muitos mitos e abre muitas consciências, escrito por quem sabe...

Eu não tive dilatação!

por Ana Cristina Duarte a Domingo, 24 de Fevereiro de 2013 às 4:24 ·
Levanta o mouse para cada vez que você ouviu essa frase, e também se você a proferiu. Não, esquece, você deve ter outras coisas a fazer depois de algumas horas levantando o mouse sem parar.

Vamos aos chocantes fatos: não existe falta de dilatação. Mas por favor, antes que você comece a ranger dentes e ficar com os olhos vermelhos de ódio, leia esse texto até o fim. Se sobrar alguma dúvida ou restar a discordância, conversemos com amor!

A dilatação do colo do útero é um processo passivo que ocorre quando as contrações encurtam as fibras musculares do útero, empurrando o bebê para baixo e puxando o colo para cima. Essas contrações, uma após a outra, vão puxando o colo de tal forma contra a cabeça do bebê, que é como se ele estivesse vestindo uma blusa de gola muito apertada. Cada vez que o útero contrai no trabalho de parto, a gola veste mais um pedaço de milímetro de sua cabecinha.

A contração passa, o colo relaxa, mas não volta a fechar o que já abriu. Na contração seguinte, é puxado mais um pouco. Lá pelas tantas o colo "veste" toda a cabeça do bebê, em seu maior diâmetro. Essa é a "dilatação total", e nessa hora o colo do útero tem aproximadamente 10 cm de diâmetro. 

Porque então tantas mulheres (especialmente as usuárias do serviço privado) têm tantos problemas de dilatação? Bem, existem algumas causas, vamos a elas:

1) Se a mulher não entrar em trabalho de parto e não ficar em trabalho de parto, ela obviamente não terá dilatação (a não ser que tenha uma patologia que a faça dilatar precocemente). Portanto quando a mulher vai na consulta de 38, 39 semanas, e o obstetra diz que ela não tem dilatação, o certo seria responder: "Claro, doutor, se eu estivesse em trabalho de parto eu saberia".

2) O trabalho de parto é caracterizado por contrações espontâneas de 3 em 3 minutos (aproximadamente), que duram de 1 minuto a 90 segundos. Em outras palavras, quando a mulher fica 12 horas "em trabalho de parto", com contrações a cada 10 minutos, isso não era trabalho de parto. Isso eram os pródromos, o princípio, a fase de instalação do processo do parto.

3) Tem mulher que demora mais para entrar em trabalho de parto efetivo, e pode ficar 2 ou 3 dias com contrações ritmadas, mas que não chegam a engrenar nos 3 em 3 minutos. É preciso muita paciência e muita doula para lidar com essa longa latência, mas o fato é que uma hora ela vai entrar em trabalho de parto.

4) Quando a bolsa se rompe e não há dilatação, é necessário esperar. Após longa espera, é possível se induzir o parto. Uma indução bem feita (preparação do colo com prostaglandinas e posterior aumento da dinâmica com ocitocina) pode levar 48 horas facilmente. Nem todo serviço e nem todo obstetra está disposto a ficar 48 horas induzindo um parto.

5) Ocitocina aplicada numa mulher sem dilatação só faz provocar contrações dolorosas, intensas, e que não fazem o colo do útero dilatar. Muitas vezes essa é a "técnica de convencimento" que alguns profissionais usam para a mulher desistir do parto normal e pedir uma cesárea pelo amor de Deus.

6) Dependendo do estado de tensão da mulher, ela pode bloquear a dilatação ou ter um processo muito lento, absurdamente lento. Para essas mulheres, a analgesia de parto normal (peridural ou combinada, raqui não) pode ser um tremendo alívio e não foram poucas as vezes que vi mulheres estacionadas nos 3 ou 4 ou 5 cm há muitas horas evoluírem para parto espontâneo apenas duas horas após analgesia. E se duvidam, posso indicar um anestesista com quem trabalho e que já testemunhou inúmeros casos assim, para explicar como isso funciona.

7) Em dez anos trabalhando semanalmente com três equipes que têm 10% de cesarianas, mais de 400 mulheres atendidas por mim quando era doula, além das centenas atendidas por elas em que eu não estava presente, mas sim outras doulas, eu nunca vi uma cesariana feita por falta de dilatação. Nunca! Nos 10% de cesarianas em trabalho de parto entraram basicamente: estresse fetal antes da dilatação total ou desproporção céfalo-pélvica. Em outras palavras, as poucas cesarianas feitas antes da dilatação total foram feitas porque o bebê se cansou e não dava mais para esperar terminar o processo de dilatação, sob risco dessa espera fazer mal ao bebê.

8) Para chegar de fato nos dois últimos centímetros de dilatação e atingir a tal  "dilatação total", o bebê já tem que estar descendo através da bacia pélvica. Por isso, nos casos em que há a verdadeira desproporção céfalo-pélvica, a mulher dilata até 8-9 cm. Talvez esse último centímetro que falta jamais venha a ser vencido. Após todas as tentativas de ajudar o nascimento, às vezes com algumas intervenções, pode ser que o bebê de fato não passe pela bacia pélvica, e nesse caso a cesariana seja feita quando a dilatação estacionou nos 8-9 cm.

9) A dilatação não é um processo simétrico. Ela depende da posição da cabeça do bebê. Normalmente o último centímetro a abrir está à frente da cabeça do bebê, próximo ao osso púbico materno, internamente. A esse último centímetro chamamos de "rebordo de colo" ou "rebordo anterior". Com paciência, esse último centímetro desaparecerá, e o bebê nascerá. Às vezes pode ser preciso ou pode ser útil abreviar o tempo do parto reduzindo-se esse último centímetro com um exame de toque. Isso se chama "redução do colo". É um processo doloroso, que deve ser evitado a todo custo, se possível.

10) A única coisa que pode impedir um colo de dilatar é um tumor grave no tecido. Tirando essa situação, todas as mulheres irão dilatar, se tiverem os recursos, tempo e equipe necessários.

Para aguardar que todas as mulheres dilatem, precisamos ter disponíveis profissionais bem dispostos, sem pressa, com repertório, incluindo parteiras, doulas, obstetras, anestesistas e pediatras. É preciso haver recursos completos para alívio da dor como ambiente agradável, bola, banqueta, banheira, chuveiro, massagem, alimentos, conforto para os acompanhantes, etc. E por fim, é preciso ter disponível analgesia de boa qualidade para as poucas mulheres que necessitam.


Fonte: https://www.facebook.com/notes/ana-cristina-duarte/eu-n%C3%A3o-tive-dilata%C3%A7%C3%A3o/489909991057851

22 fevereiro, 2013

Saber esperar





Induzir o parto antes das 39 semanas pode ter riscos para o bebé.

A partir das 37 semanas de gravidez, espera-se que o bebé esteja pronto para nascer. Mas nem sempre é assim. Vários estudos indicam que, pelo menos, até às 39 semanas a barriga da mãe é o melhor sítio para se estar.
Marcar o dia do parto é, cada vez mais, uma prática habitual. Em Portugal e em muitos países ocidentais. Seja por cesariana ou por indução. Seja porque o médico sugere ou a pedido da mulher. Marca-se para garantir a presença do médico escolhido, marca-se para que o bebé nasça em determinado dia, marca-se para evitar que as águas rebentem numa hora que não dê jeito, marca-se porque se tem medo do inesperado. Marca-se o parto por muitas razões, poucas delas médicas, apesar de ainda nenhum estudo ter demonstrado que este procedimento é vantajoso para a mãe ou para o bebé.
Na gravidez, um dia a mais ou a menos pode fazer a diferença. A partir das 37 semanas, o bebé é considerado de termo, ou seja, estima-se que a maior parte dos bebés com esta idade gestacional esteja pronto para nascer. Mas nem sempre isso acontece. «A maturação enzimática do aparelho respiratório não acaba às 37 semanas. Não chega essa data e já está. É uma coisa progressiva. Por isso, à medida que o tempo passa, o bebé tem menos probabilidades de ter problemas respiratórios», explica Diogo Ayres de Campos, professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e obstetra no Hospital de São João, no Porto.
As recomendações internacionais, quer do Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, quer do Colégio Inglês de Ginecologia e Obstetrícia, são no sentido de esperar sempre, pelo menos, pelas 39 semanas de gravidez para provocar o parto.
Duas investigações recentes vieram reforçar o consenso. Em Fevereiro de 2009, um estudo publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology revelou que, nos bebés nascidos de parto induzido entre as 37 e as 38 semanas, 17,8 por cento precisaram de ficar internados, em média, 4,5 dias na unidade de cuidados intensivos neonatais. Nos bebés nascidos entre as 38 e as 39 semanas, o número de internamentos desceu para oito por cento. Depois das 39 semanas, apenas 4,6 por cento dos bebés precisaram de cuidados especiais. Nas conclusões, os autores deixam bem claro: «O parto electivo antes das 39 semanas está associado a um aumento da morbilidade neonatal e a um aumento do número de cesarianas, sendo, por isso, inapropriado».
O estudo envolveu 14 955 nascimentos após as 37 semanas de gestação, em 27 hospitais americanos, durante o ano de 2007. Destes, 4645 foram marcados sem razão médica, o equivalente a um terço dos partos. Em Portugal, não se conhece o número exacto de induções. Mas estima-se que seja bastante acima do valor recomendado pela Organização Mundial de Saúde: dez por cento.

CESARIANA AUMENTA OS RISCOS
Para o bebé, a eventual complicação mais grave resultante de um parto cedo demais é a síndrome de stresse respiratório. Um problema provocado pela imaturidade dos pulmões, que obriga o recém-nascido a ficar internado na unidade de cuidados intensivos neonatais para lhe ser administrado surfactante, substância que ajuda os alvéolos pulmonares a distenderem.
Outro estudo, que incidiu sobre 25 mil partos por cesariana electiva, demonstrou ainda que nascer antes das 39 semanas aumenta o risco não só de doenças respiratórias, como de infecções, hipoglicemia, internamento na unidade de cuidados intensivos e internamentos mais frequentes. A investigação do Instituto Nacional para a Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano, nos Estados Unidos, concluiu que os bebés nascidos às 37 semanas por cesariana electiva têm o dobro do risco de sofrer de algum tipo de complicação em relação aos bebés que nascem às 39 semanas. Nascer às 38 semanas diminui o risco, mas, ainda assim, estes bebés têm mais 50 por cento de possibilidades de terem algum problema, pode ler-se no estudo publicado no New England Journal, em Janeiro deste ano.
Com a cesariana, os riscos para o recém-nascido ainda são maiores do que na indução (desde que a indução termine em parto vaginal) porque o processo de trabalho de parto e de expulsão do feto favorece a maturação dos pulmões do bebé.
 Diogo Ayres de Campos desdramatiza um pouco estes resultados: «Não são complicações que tenham sequelas ou desfechos negativos e são problemas muito raros. Mas não se deve esquecer que é, de facto, mais arriscado marcar um parto para antes das 39 semanas». Por isso mesmo, na maternidade do Hospital de São João, não se fazem induções ou cesarianas electivas antes das 39 semanas, a não ser que exista uma forte indicação médica. Mas não existe um consenso a nível nacional sobre esta matéria. «São os hospitais que decidem. Os hospitais centrais que conheço seguem as recomendações internacionais e não fazem induções antes das 39 semanas. Nos privados não sei como funciona», revela o obstetra, acrescentando: «Mesmo no caso de um bebé pélvico que vá nascer por cesariana programada, as recomendações são para esperar até depois das 39 semanas».

RAZÕES PARA UM PARTO MARCADO
A Organização Mundial de Saúde só fala em indução do parto depois das 42 semanas de gravidez. Antes desse tempo, a organização recomenda uma vigilância pré-natal mais apertada. O Instituto Nacional para a Saúde e Excelência Clínica, entidade britânica de grande importância científica, desaconselha a indução de parto a pedido da mulher por ser «uma intervenção desnecessária e ter riscos». A única excepção para antecipar o parto sem uma razão médica, segundo o instituto, são os casos em que o pai do bebé tem de ausentar-se para locais de guerra. Ainda assim, a indução só deverá «ser considerada às 40 semanas ou depois».
Mesmo em casos de suspeita de bebé muito grande ou de incompatibilidade feto-pélvica – motivos invocados habi-tualmente por médicos para marcar uma indução –, os especialistas britânicos aconselham a esperar pelo início do trabalho de parto espontâneo. Dizem que não há uma forma de medir com exactidão estes parâmetros.
A indicação mais consensual para uma indução está relacionada com o facto de a mãe ser portadora de uma doença que se agrava à medida que a gravidez vai evoluindo, como hipertensão, diabetes ou doença cardíaca. Em relação às cesarianas electivas, é consensual que se realizem em situações de doença infecciosa da mãe e no caso de placenta prévia. Mais controversa é a indicação para fazer cesariana por o bebé estar sentado (bebé pélvico) ou em posição transversal. Existe uma manobra, que pode ser realizada durante a gravidez (versão externa), para ajudar o bebé a colocar-se na posição correcta.
Esperar pelo início espontâneo do trabalho de parto é a melhor opção para as gravidezes de baixo risco. Todos os estudos científicos assim o demonstram. As últimas semanas dentro da barriga da mãe são igualmente importantes para o bebé. Os argumentos de que a partir de determinada altura «o bebé não está lá a fazer nada» ou que «só está a engordar» são enganadores. O bebé precisa de tempo para tomar a decisão de nascer.

19 fevereiro, 2013

Divulgação: Workshop com Andresa Salgueiro | Projeto Believe: Vivo à Troca

Porque acredito que vale sempre a pena ouvir quem sabe que arriscar não é mais do que acreditar, seguir em frente e ter sucesso...

Contra tudo o que "tradicionalmente" a nossa sociedade acredita e impõe, Andresa propôs-se viver de forma "diferente" ... ouviu e seguiu o seu coração e mostrou a todos, mas sobretudo a si mesma, que tudo é possível quando se vive pelo coração...

Por tudo isto, venho divulgar a oportunidade de a ouvir e sentir aqui no Fundão...



O Município do Fundão irá realizar, no dia 26 de fevereiro, terça-feira, pelas 16.00h, nas instalações do Cowork, n’ A Moagem – Cidade do Engenho e das Artes, um workshop com Andresa Salgueiro, promotora do projeto de vida “Believe”.
 
Este projeto consiste em viver de trocas, durante 1 ano, 11 dias, 11 horas com 1111€, sobrevivendo apenas trocando aquilo de que precisa, pelo que possa dar.
 
Com esta iniciativa pretende-se divulgar a experiência de vida desta jovem, partilhando experiências pessoais, dúvidas, interrogações e os momentos mais importantes do seu projeto.

Podem saber mais em:

http://www.cm-fundao.pt/municipionews/workshop_andresa_salgueiro

http://vivoatroca.blogspot.pt/


A minha fotografia

26 janeiro, 2013

Divulgação... Workshop Cozinha Natural

Divulgação e convite... vale mesmo a pena não perder!!! 

A formadora é fantástica e tudo é apresentado de forma simples e muito prática para podermos introduzir pequenas/grandes alterações na nossa alimentação, com alterações profundas no nosso bem estar a muitos níveis. 

Sábado - workshop prático; 
Domingo - consultas individuais de orientação (para quem quiser).

Recomendadíssimo...




Para saber mais aqui!!

19 janeiro, 2013

Corte do cordão umbilical...os benefícios do corte tardio

Uma palestra clara e muito explicita acerca dos enormes benefícios de esperar que o cordão umbilical pare de pulsar para o cortar, bem como sobre as inúmeras implicações sociais, económicas e para a saúde... vale a pena ver e ouvir com atenção!!!


13 janeiro, 2013

Preservação do sangue do cordão umbilical não é justificável

Uma opinião ou evidências baseadas em estudos científicos??? Fica a discussão...

Defende o Instituto Português do Sangue e da Transplantação
02 Janeiro 2013
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A recolha e preservação do sangue do cordão umbilical (SCU) para uso futuro não se justificam à luz dos atuais conhecimentos científicos, defende o Instituto Português do Sangue e da Transplantação.

Numa nota publicada no site do Instituto Português do Sangue, ao qual a agência Lusa teve acesso, o organismo lembra que a “probabilidade de uma criança vir a ter uma anemia aplástica grave (…) parece muito baixa (<1 50.000="50.000" a="a" conserva="conserva" de="de" justificar="justificar" o="o" p="p" para="para" pelo="pelo" pr="pr" prio="prio" scu="scu" utiliza="utiliza">

“Sendo uma opção de caráter familiar e privada, o IPST esclarece que o potencial benéfico, para o próprio ou um irmão(ã) é, na verdade, no momento atual, quase residual e geralmente inexistente”, diz a nota.

Por outro lado, o organismo refere que há duas objeções éticas a ter em conta: “o aproveitamento de uma maior sensibilidade emocional dos pais da criança, que legitimamente quererão o melhor para o seu filho, e a desigualdade de acesso condicionada pelas condições económicas das famílias”.

Deste modo o IPST recomenda as famílias procurem uma segunda opinião junto de especialistas conhecedores da problemática.

O IPST refere que a principal motivação para uma família optar pela conservação do SCU é a “noção de que está a oferecer à criança um ‘seguro biológico’ para o caso de surgir uma doença com indicação para transplante hematopoiético autólogo.

“Em relação ao potencial de utilização noutras áreas, nomeadamente na chamada medicina regenerativa, poderão surgir utilizações no futuro nomeadamente em cardiologia, neurologia e diabetes. Trata-se, no entanto, de hipóteses por enquanto especulativas, que, no estado atual dos conhecimentos, não justificam a criopreservação autóloga de SCU para utilização na idade adulta”, defende o IPST.

No entanto, dada a evolução que se tem verificado na terapia celular, “ainda não substanciada em resultados clínicos favoráveis”, será necessária uma revisão regular desta matéria.

“Importa pois considerar o rigor da informação fornecida pelos bancos privados aos futuros pais e, na medida do possível, avaliar o grau de compreensão dos mesmos relativamente a essa informação. As famílias são aconselhadas a ponderarem a publicidade que é feita e são alertadas para o risco de publicidade enganosa que as autoridades perseguem”, aconselha o organismo.

Na opinião do IPST, é difícil justificar este tipo de procedimentos por parte dos bancos privados tendo em conta os preços atualmente praticados e a relação custo/benefício.


10 janeiro, 2013

700 tipos de bactérias presentes no leite materno


Mais um estudo...para quem ainda possa achar que talvez o leite artificial seja "parecido" ao leite materno....

Estudo publicado no “American Journal of Clinical Nutrition”
10 Janeiro 2013
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Uma equipa de investigadores espanhóis descobriu o mapa microbiano do leite materno, tendo o estudo revelado que a diversidade microbiana da principal fonte de alimento dos recém-nascidos é maior do que se pensava, com mais de 700 espécies.
Através de uma técnica baseada numa ampla sequênciação de ADN, os cientistas conseguiram identificar o conjunto de bactérias existente no leito materno, denominado microbioma.
O leite materno é  determinante para o desenvolvimento da flora bacteriana no recém-nascido. No entanto, desconhece-se ainda o papel biológico desempenhado por essas bactérias nos recém-nascidos.
Com este estudo, será agora possível determinar as variáveis pré e pós-parto que influenciam a riqueza microbiana do leite materno.
Algumas amostras de colostro, o primeiro líquido segregado pelas glândulas mamárias ao parto, analisadas neste estudo revelaram mais de 700 espécies destes microrganismos. As bactérias Weissella, Leuconostoc, Staphylococcus, Streptococcus e Lactococcus foram as mais comuns encontradas nestas amostras.
Em amostras de leite materno recolhidas um mês e seis meses após o início da amamentação foram encontradas bactérias típicas da cavidade bucal como a Veillonella, Leptotrichia e Prevotella.
Os investigadores descobriram também que o peso das mães influencia a riqueza bacteriana do leite materno. O leite de mães obesas que tinham engordado mais do que o recomendado durante a gravidez possuía uma menor diversidade de espécies.
O tipo de parto afeta igualmente o microbioma do leite materno. Um parto vaginal produzia na mãe leite mais rico em microrganismos do que o leite de uma mãe que tinha tido uma cesariana planeada. No entanto, o leite oriundo de mães que tinham sido submetidas a um parto por cesariana não planeada tinha uma riqueza microbiana semelhante ao das mães que tinham tido um parto vaginal.
Estes resultados parecem sugerir que o estado hormonal da mãe na altura do parto é um fator relevante e os autores acreditam que a falta de sinais hormonais de parto e de stress fisiológico poderão influenciar a diversidade microbiana do leite materno.

Os investigadores estão agora a procurar determinar se o papel destas bactérias é metabólico (no sentido em que ajuda a digestão do bebé que amamenta) ou imunitário, ou seja, se auxiliam na distinção entre organismos benéficos e estranhos.
Os autores consideram ainda que esta descoberta poderá ser benéfica para a indústria da nutrição: “se as bactérias do leite materno descobertas neste estudo forem importantes para o desenvolvimento do sistema imunitário, acrescentá-las ao leite artificial pode reduzir o risco de alergias, asma e doenças autoimunitárias”, comentaram.